Sabe qual é o
pior de tudo? Saber que ela sempre vai estar lá, mas nunca vou poder tocá-la.
Porque antes existia certa distância que era só em quilômetros, hoje já é em
palavras. E isso me deixa triste, pois neste exato momento eu poderia estar ao
seu lado, somente vendo-a dormir, somente admirando-a em toda a sublime beleza que ela simplesmente é. Agora só posso fazer isso: olhar fotos e ver como cresceu, como está cada dia mais bela, cada dia mais minha garota. Nem comentários eu posso deixar, porque ela saberia que minhas poucas palavras seriam vãs tentativas de expressar tudo o que vejo e que sinto. Porque ela saberia que ainda a amo como há cinco anos atrás...
segunda-feira, 9 de julho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Violoncello
-Essa música é dedicada a uma
pessoa muito especial que se encontra aqui esta noite. Minha música favorita.
Você começou a
tocar uma música romântica que não consegui descobrir de imediato. Adorava o
jeito que tocavas violoncelo, fechando os olhos e sentindo a música surgir através de seus dedos. Te ver concentrado
ao tocar era muito lindo. No refrão, você me olhou e abriu seu maior sorriso. “With or without you” dizia em sua parte
principal, e eu me arrepiei ao perceber o que tocavas. Aquela era uma de minhas
músicas favoritas e não somente pela linda letra, mas também por causa da
melodia perfeita. Seus lábios começaram a se mover e vi que acompanhavas a
melodia em tom mudo. “I wait for you”.
Comecei a lagrimar e um leve arrepio passou por mim. Estavas tão lindo em sua
roupa de gala e com o cabelo todo desgrenhado por ficar mexendo a cabeça com
cada nota que tocavas, que eu começava a querer te arrancar dali e te roubar
somente para mim. A música terminou e você levantou, curvando-se em
agradecimento as palmas que te reverenciavam. Então se aproximou de onde eu
estava e enxugou uma lágrima que escorria lenta em meu rosto.
-Foi lindo. –
disse sorrindo e chorando ao mesmo tempo. – Foi perfeito.
Você sorriu e
segurou minha mão, dando um leve beijo em meus lábios. E eu te segui, extasiada
com sua bela declaração.
sábado, 16 de junho de 2012
Anjo
Vi um anjo.
Ela dava passos distraídos em minha direção
e eu não sabia o que fazer. Fiquei paralisado com tanta beleza. Os cabelos claros
balançando suavemente com a brisa da tarde, o rosto sem maquiagem revelando
pequenos sinais graciosos na pele. Até que os lindos olhos verdes desse anjo me fitaram. E então me apaixonei perdidamente. Sim, ela era um anjo. Sua voz
doce era como o som de uma harpa harmoniosa em meus ouvidos e, quando ela me disse
um pequeno e breve 'Oi', percebi que já a amava.
Oh, Deus! Que lindo anjo!
Quando ela sorriu, senti meu coração querendo sair pela garganta. As borboletas surgindo estranhamente em meu estômago, naquela sensação esquisita que nunca havia sentido. Aquele anjo era o retrato da mais bela perfeição. E ele começou a andar ao meu lado. Senti uma vontade louca de segurar-lhe a mão, mas me contive por medo de que esse gesto a afastasse dali. No momento seguinte, quis provar de sua boca e sentir os
lábios macios de encontro aos meus, mas hesitei novamente por medo. Devia ao menos dito o que sentia naquele momento...
Porque como todo anjo
ela simplesmente voou, deixando apenas a frágil lembrança de sua
pele, de seus olhos e de seu sorriso magnífico.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Ácida brancura
– Abra os olhos. – murmurou em meu ouvido, enquanto tirava as mãos de meu rosto. Minha vista, aos poucos, foi se adaptando à claridade do local. Estava em seu quarto e
havia rosas brancas por todos os lados, o perfume magnífico espalhado pelo ambiente. Ele sabia que eu amava rosas brancas e que apenas uma única flor já deixaria meu dia feliz. Naquele quarto havia dezenas – dúzias, talvez – de buquês. Um belo sorriso misturado às lágrimas surgiu em meu rosto.
– Coisas especiais para pessoas
especiais. – disse sorrindo.
Um gostoso arrepio percorreu
minha espinha e foi impossível não beijá-lo. Então começamos a rir, como dois amantes em seu maior momento de felicidade.
– Obrigada, meu lindo. – agradeci
radiante. – Obrigada por tudo. Obrigada por...
Então acordei. Minha vista, aos poucos, foi se adaptando à claridade do local. Aquele quarto – o meu quarto – parecia extremamente solitário. Respirei fundo, olhando para o teto. Não sei ao certo por quanto tempo fiquei assim, até que levantei da cama. Apenas para encontrar o homem que vagava em meus sonhos com outra
pessoa...
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Naive
Foram dois meses que
valeram como uma vida inteira. Aprendi a apreciar a música de maneira
intensa, de um jeito que achei que nunca entenderia. Meu gosto musical foi definido,
minhas escolhas foram definidas e, o principal, meu amor foi definido naquele
tempo. Tão pouco tempo... Hoje só me restam as lembranças de uma época calma e
sem preocupações, época que me fazia sorrir todos os meus mais belos sorrisos. E me pergunto se poderia ter feito mais, se a culpa foi minha de tudo ser tão
diferente hoje em dia. Eu sei que fui ingênua...
Eu
só o queria de volta: o tempo em que tudo era simples e perfeito. O tempo em
que você segurava a minha mão e me protegia. O tempo em que não houveram
beijos, mas os abraços valiam muito mais. O tempo em que eu te amava sem nem ao
menos perceber.
Take me back to the place where I
Loved that girl for all time
Why must life just take away
Every good thing one at a time
Loved that girl for all time
Why must life just take away
Every good thing one at a time
The Kooks - I Want You Back
sábado, 7 de abril de 2012
Garota rock n' roll
Tênis All Star com cadarço
vermelho, lápis preto no olho e o cabelo solto esvoaçando ao vento. Ela sorria
enquanto batucava no volante do carro ao som de sua banda de rock favorita. Era
cedo ainda e o sol estava nascendo. Ela colocou os óculos escuros depois de
procurá-los na bagunça do porta-luvas e começou a cantar junto com a voz que
gritava do alto-falante. Aquela era a vida que ela amava ter, sem tirar nem
pôr. Fugiu da sociedade repressora em que vivia com apenas 15 anos. Decepcionou
pai e mãe e pensou que um dia pediria desculpas. Nunca precisou. Tingiu o
cabelo de vermelho, roxo, azul e agora voltara ao preto. Percorreu cidades
procurando por adrenalina, por algo que a mantivesse viva. Se envolveu com
pessoas erradas e conheceu um cara que parecia ser o certo mas, para a vida que
ela tinha, não existem pessoas certas. Experimentou a boca de outra mulher e
sorriu maliciosamente ao perceber como as mulheres conseguem se entregar a um
simples beijo. Fugiu da polícia e gargalhou buzinando por horas, o efeito que a
fuga lhe fizera. Bebeu até cair porre no chão e ser amparada por pessoas que
não conhecia. Gritou que estava na estrada para o inferno e que
adorava estar vagando nela há anos. Socou o nariz do cara que tentou abusá-la;
beijou várias pessoas ao mesmo tempo; se perdeu no mundo para se encontrar no
dia seguinte em seu carro com a banda de rock que mais gostava. Quase fez um
pacto com o diabo, falou com mortos e o orou para que os deuses em que
acreditava a perdoassem por todos os pecados que cometera e todos os que ainda
iria cometer. Essa era a vida que ela tinha e que não largaria tão cedo. Essa era a vida da garota rock n' roll.
domingo, 1 de abril de 2012
Talvez
Talvez eu tenha cometido um erro. Talvez tenha errado ao te afastar, por me
achar superior de uma maneira muito deturpada dentro de minha cabeça. Talvez eu seja
imbecil o suficiente por achar que tudo pode voltar a ser normal, sem as brigas
sem motivo ou sem a conversa de você ter mudado e amadurecido. Talvez não devesse ter te
entregado aquele bilhete esperando que o universo conspirasse e você me
mandasse algum sinal de vida dizendo que ainda me amava. Tolice. Talvez deva
parar de te mandar mensagens esperando por respostas que nunca virão ou, se vierem, receber apenas respostas monossilábicas. Talvez eu deva parar de mentir para mim, de acreditar piamente
em palavras e esperar que elas se concretizem.
Talvez deva parar de me
apaixonar. Sim, eu preciso parar...
Talvez seja necessário jogar fora as cartas, os bilhetes, os desenhos, qualquer memória sobre as pessoas que amo e amei. Porque, no fim, o amor é sempre semeado de um lado apenas. E talvez as coisas melhorem se eu fizer isso, como quando
eu joguei fora as lembranças de três anos atrás...
Talvez, realmente.
sábado, 31 de março de 2012
Aquela carta escondida
Acabei de ler a carta que escreveu para mim,
provavelmente pela milésima vez. Lembra quando você a colocou em meu caderno? Encontrei o papel durante alguma aula chata, cerca de um ano atrás. Foi ali que percebi
que você realmente me amava. E hoje sei o quanto relutei, o quanto tentei
matar esse sentimento, o quanto fui idiota e te tratei mal. Agora apenas sinto sua falta, do seu sorriso
sincero, do seu abraço caloroso e acolhedor que sempre me fazia bem, até mesmo dos
selinhos roubados entre as aulas... E, infelizmente, você já afirmou que mudou o jeito de pensar e de agir com relação a mim,
então não posso fazer mais nada. Sei que te perdi, que é tarde demais para tentar avivar qualquer sentimento seu por mim.
Agora percebo como a música que você me fez ouvir naquela tarde ensolarada realmente mostrava o que eu fazia com você, como deixava evidente o quanto eu brincava com seus sentimentos – e juro que realmente não percebia. Só me resta pedir
perdão.
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