Tênis All Star com cadarço
vermelho, lápis preto no olho e o cabelo solto esvoaçando ao vento. Ela sorria
enquanto batucava no volante do carro ao som de sua banda de rock favorita. Era
cedo ainda e o sol estava nascendo. Ela colocou os óculos escuros depois de
procurá-los na bagunça do porta-luvas e começou a cantar junto com a voz que
gritava do alto-falante. Aquela era a vida que ela amava ter, sem tirar nem
pôr. Fugiu da sociedade repressora em que vivia com apenas 15 anos. Decepcionou
pai e mãe e pensou que um dia pediria desculpas. Nunca precisou. Tingiu o
cabelo de vermelho, roxo, azul e agora voltara ao preto. Percorreu cidades
procurando por adrenalina, por algo que a mantivesse viva. Se envolveu com
pessoas erradas e conheceu um cara que parecia ser o certo mas, para a vida que
ela tinha, não existem pessoas certas. Experimentou a boca de outra mulher e
sorriu maliciosamente ao perceber como as mulheres conseguem se entregar a um
simples beijo. Fugiu da polícia e gargalhou buzinando por horas, o efeito que a
fuga lhe fizera. Bebeu até cair porre no chão e ser amparada por pessoas que
não conhecia. Gritou que estava na estrada para o inferno e que
adorava estar vagando nela há anos. Socou o nariz do cara que tentou abusá-la;
beijou várias pessoas ao mesmo tempo; se perdeu no mundo para se encontrar no
dia seguinte em seu carro com a banda de rock que mais gostava. Quase fez um
pacto com o diabo, falou com mortos e o orou para que os deuses em que
acreditava a perdoassem por todos os pecados que cometera e todos os que ainda
iria cometer. Essa era a vida que ela tinha e que não largaria tão cedo. Essa era a vida da garota rock n' roll.

Ah, eu simplesmente amei!
ResponderExcluirNo fundo do meu eu reprimido, sempre quis ser assim...
Tass.