segunda-feira, 28 de maio de 2012

Naive


Foram dois meses que valeram como uma vida inteira. Aprendi a apreciar a música de maneira intensa, de um jeito que achei que nunca entenderia. Meu gosto musical foi definido, minhas escolhas foram definidas e, o principal, meu amor foi definido naquele tempo. Tão pouco tempo... Hoje só me restam as lembranças de uma época calma e sem preocupações, época que me fazia sorrir todos os meus mais belos sorrisos. E me pergunto se poderia ter feito mais, se a culpa foi minha de tudo ser tão diferente hoje em dia. Eu sei que fui ingênua...
Eu só o queria de volta: o tempo em que tudo era simples e perfeito. O tempo em que você segurava a minha mão e me protegia. O tempo em que não houveram beijos, mas os abraços valiam muito mais. O tempo em que eu te amava sem nem ao menos perceber.

Take me back to the place where I
Loved that girl for all time
Why must life just take away
Every good thing one at a time

The Kooks - I Want You Back

sábado, 7 de abril de 2012

Garota rock n' roll


Tênis All Star com cadarço vermelho, lápis preto no olho e o cabelo solto esvoaçando ao vento. Ela sorria enquanto batucava no volante do carro ao som de sua banda de rock favorita. Era cedo ainda e o sol estava nascendo. Ela colocou os óculos escuros depois de procurá-los na bagunça do porta-luvas e começou a cantar junto com a voz que gritava do alto-falante. Aquela era a vida que ela amava ter, sem tirar nem pôr. Fugiu da sociedade repressora em que vivia com apenas 15 anos. Decepcionou pai e mãe e pensou que um dia pediria desculpas. Nunca precisou. Tingiu o cabelo de vermelho, roxo, azul e agora voltara ao preto. Percorreu cidades procurando por adrenalina, por algo que a mantivesse viva. Se envolveu com pessoas erradas e conheceu um cara que parecia ser o certo mas, para a vida que ela tinha, não existem pessoas certas. Experimentou a boca de outra mulher e sorriu maliciosamente ao perceber como as mulheres conseguem se entregar a um simples beijo. Fugiu da polícia e gargalhou buzinando por horas, o efeito que a fuga lhe fizera. Bebeu até cair porre no chão e ser amparada por pessoas que não conhecia. Gritou que estava na estrada para o inferno e que adorava estar vagando nela há anos. Socou o nariz do cara que tentou abusá-la; beijou várias pessoas ao mesmo tempo; se perdeu no mundo para se encontrar no dia seguinte em seu carro com a banda de rock que mais gostava. Quase fez um pacto com o diabo, falou com mortos e o orou para que os deuses em que acreditava a perdoassem por todos os pecados que cometera e todos os que ainda iria cometer. Essa era a vida que ela tinha e que não largaria tão cedo. Essa era a vida da garota rock n' roll.

domingo, 1 de abril de 2012

Talvez


Talvez eu tenha cometido um erro. Talvez tenha errado ao te afastar, por me achar superior de uma maneira muito deturpada dentro de minha cabeça. Talvez eu seja imbecil o suficiente por achar que tudo pode voltar a ser normal, sem as brigas sem motivo ou sem a conversa de você ter mudado e amadurecido. Talvez não devesse ter te entregado aquele bilhete esperando que o universo conspirasse e você me mandasse algum sinal de vida dizendo que ainda me amava. Tolice. Talvez deva parar de te mandar mensagens esperando por respostas que nunca virão ou, se vierem, receber apenas respostas monossilábicas. Talvez eu deva parar de mentir para mim, de acreditar piamente em palavras e esperar que elas se concretizem.
Talvez deva parar de me apaixonar. Sim, eu preciso parar...
Talvez seja necessário jogar fora as cartas, os bilhetes, os desenhos, qualquer memória sobre as pessoas que amo e amei. Porque, no fim, o amor é sempre semeado de um lado apenas. E talvez as coisas melhorem se eu fizer isso, como quando eu joguei fora as lembranças de três anos atrás...
Talvez, realmente.

sábado, 31 de março de 2012

Aquela carta escondida


Acabei de ler a carta que escreveu para mim, provavelmente pela milésima vez. Lembra quando você a colocou em meu caderno? Encontrei o papel durante alguma aula chata, cerca de um ano atrás. Foi ali que percebi que você realmente me amava. E hoje sei o quanto relutei, o quanto tentei matar esse sentimento, o quanto fui idiota e te tratei mal. Agora apenas sinto sua falta, do seu sorriso sincero, do seu abraço caloroso e acolhedor que sempre me fazia bem, até mesmo dos selinhos roubados entre as aulas... E, infelizmente, você já afirmou que mudou o jeito de pensar e de agir com relação a mim, então não posso fazer mais nada. Sei que te perdi, que é tarde demais para tentar avivar qualquer sentimento seu por mim.
Agora percebo como a música que você me fez ouvir naquela tarde ensolarada realmente mostrava o que eu fazia com você, como deixava evidente o quanto eu brincava com seus sentimentos – e juro que realmente não percebia. Só me resta pedir perdão.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Miracula aeternitatis


"Aquilo que foi é como o que era.
E aquilo que era é como o que foi."


Olhares irresistíveis se cruzaram. Havia uma tensão pairando no ar e ninguém sabia o motivo. Somente ela. Os dois se aproximaram. Corpos em chamas e ele mal sabia: estava tão apaixonado pela mulher à sua frente que se tornou extremamente cego. Seus olhos só a viam: os cabelos ruivos, a boca pequena, a presença cada vez mais forte em qualquer cômodo que entrasse. "Sou sua..." era a única coisa que ouvia. Era só o que os tão delicados lábios avermelhados sussurravam. Eles se abraçaram e uma dança silenciosa os envolveu. Qualquer um diria que eram pessoas prestes a cometer adultério. E eram. Dois amantes sem outros parceiros. Amantes...
Ela o apertou contra o seio e esperou o homem ficar sem reação. Ele aspirou o doce cheiro que emanava dos cabelos desgrenhados e, com os dedos, passeou pelo braço dela até chegar ao pescoço. Aquela pele tão macia embaixo de seus dedos calejados... Aquela mulher cortejada por toda a sociedade que os rodeava – aquela patética sociedade  estava lá para ele. Acreditando que ela o pertencia.
"Sinto pena de você", pensava ela, acariciando-o também.

"O que está em cima é como o que está abaixo,
para realizar os milagres."


A tensão aumentou. Apertando-o ainda mais contra o peito, esperou que ele a beijasse. Não demorou para que isso ocorresse e ela se preparou. Quando percebeu que ele estava extasiado, retirou o punhal escondido em seu vestido e sorriu. A hora chegou. Então respirou profundamente e, murmurando palavras que ele não compreendeu, cravou-lhe a arma nas costas. Num primeiro momento houve apenas o susto, mas logo ele percebeu o acontecera. Traição. Pura e simples traição. E ele não conseguiu pronunciar nenhuma palavra. Sem se mover, ela esperou o corpo cair ao chão. O punhal em suas mãos delicadas e sujas de sangue. Com um sorriso malicioso, ela observou a vida o abandonar num último suspiro. Rondou o corpo, abaixou-se e tocou o rosto do homem, antes de tocar o lugar em que o apunhalara. Ainda com o sorriso, saiu do recinto, deixando para trás aquele corpo sem vida.

"O que está abaixo é como o que está acima,
para realizar os milagres."

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quem sabe?


Sabe o motivo de pedir sua ajuda em matemática? Bem, não foi por dificuldades na matéria ou algo do tipo, só queria te conhecer melhor. Você é incrível, talentosa e extremamente... linda. Acho que não tinha como não me apaixonar. É, estou perdidamente apaixonado por você e acho que todos os idiotas que puderam te conhecer tanto ou mais do que eu te conheço são tremendos imbecis. Porque você é perfeita em toda a sua imperfeição. Porque o jeito que você olha para baixo quando está com vergonha, como nesse momento, e sorri esse sorriso tímido é magnífico. Você é a garota mais atraente que conheci em toda a minha vida...
Me perdoa, mas vou ter que te beijar agora.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Filmes antigos


Eu corri.
Não como nos filmes antigos em que a linda mocinha corre em direção ao seu amado, mas desesperada e desamparada. Entrei na loja mais próxima e fui para o fundo dela. Acho que não me dei conta de onde estava, porque sentei no chão e escondi minha cabeça entre os joelhos por estar chorando. E não notei o tempo passar. Quando finalmente levantei os olhos, percebi que estava no meio das toalhas, praticamente escondida. E meu coração palpitou mais ainda quando olhei para o lado e te vi com uma expressão que misturava felicidade e tristeza.
 Antes que me pergunte,  começou.  estou aqui desde que você chegou.
Disfarcei um sorriso e te olhei preocupada.
 Mas e o seu trabalho?  minha voz saiu mais embargada do que pensei que estivesse.
– Estava saindo quando vi você entrar e praticamente se esconder aqui.
Baixei os olhos para meus pés e tentei esconder o sorriso que surgia por notar o quanto você se importava.
– Obrigada. – murmurei.
Você sorriu e me abraçou carinhosamente. Pela primeira vez senti o seu toque, naquele abraço que tentava me confortar. As lágrimas sumiram imediatamente, dando lugar à calma que emanava de você. Então todos os pensamentos se esvaíram e apenas a surpresa e a ansiedade ficaram ali.
A palpitação em meu peito estava tão alta que você deve ter escutado, não duvido. Porque ali eu tive a confirmação: estava apaixonada e nunca havia notado. A felicidade de falar com você e todo o nervosismo ao saber que provavelmente te encontraria, sempre foram os sinais que teimei em compreender. Agora eu compreendo. Comecei a sorrir feito uma adolescente boba ainda em seu abraço.
– Está melhor? – perguntou depois de um tempo, segurando meu rosto com as duas mãos.
– Acho que sim. – respondi, ainda com os olhos baixos.
– Menina, por que você nunca me olha direito?
Tenho absoluta certeza que fiquei extremamente vermelha porque você começou a rir. E novamente perdi a noção do tempo. Lembranças do que havia ocorrido voltaram numa enxurrada, ao mesmo tempo em que lembrei de quanto te conheci, das vezes em que você me olhou com um sorriso e das vezes em que brigávamos de brincadeira.
E quando voltei a mim e entendi o que estava acontecendo, notei que você me beijava de um jeito tão carinhoso, que apagava todo o motivo do choro de minutos atrás. Então as borboletas no estômago começaram a trabalhar e me levaram às nuvens em poucos segundos.
Ao se afastar, você me olhou e começou a rir novamente.
– Você realmente está vermelha.
E dessa vez eu não escondi o sorriso, só porque ainda estava delirando com seu beijo repentino.
– Você é louco... – foi a única coisa que consegui dizer naquele momento.
– Bem,  disse olhando o relógio. – acho bom nós irmos embora, já está ficando tarde. – e você levantou, me puxando em seguida.
Começamos a caminhar em direção a saída da loja quando você segurou minha mão num gesto inocente e me olhou carinhosamente com um lindo sorriso.
– Não chore mais, minha linda.
E eu sorri. Igual naqueles filmes antigos em que a mocinha fica com seu príncipe no final e vive feliz para sempre. Era assim que eu me sentia...
Feliz por finalmente estar com você.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Confissões de uma amiga


Ela estava sozinha quando você apareceu. A vida era um completo caos e nada fazia sentido. Para ela, somente o tempo iria amenizar tudo de ruim que acontecera. Você deve tê-la salvado de algo. Bem, é pouco provável...
Ela sabe que não é a pessoa perfeita que você tanto esperou, mas é alguém que sempre cuidará de você, alguém que fará qualquer coisa que estiver ao alcance para ver um simples sorriso em seu rosto. Porque ela ama seu sorriso, até mesmo o mais discreto. Mas talvez o amor que ela sente  será que é amor?  deva ser sufocado. Dizem que é só focar nos defeitos da pessoa que se gosta que você passa a odiá-la. E ela me disse que está fazendo isso e começando a te odiar. Um ódio que cresce e se equipara ao mesmo amor que ela ainda teima em sentir... E ela não sabe mais o que fazer em relação a isso.
Eu sei que ela é especial. Ela vê nas pessoas o melhor de cada uma e mostra para o mundo tudo o que encontra. É uma visão de mundo completamente diferente do que estamos acostumados. E, sinceramente, eu a admiro. Acredito que você devia fazer o mesmo. 
Quem ela é? Acho essa informação é irrelevante. Talvez seja minha amiga, um alter ego ou os dois. Mas suas confissões, o que ela pensa, fala ou faz, são coisas que qualquer ser humano faria. Ou qualquer ser humano que ainda não amadureceu.
O mundo só quer enxergar beleza. E ela sempre vê além disso.