domingo, 9 de junho de 2013

Alguns minutos

Ela sorriu. Era perceptível que nós estávamos completamente nervosos e admito que era maravilhoso me sentir assim. O coração disparado, os lábios entreabertos e meus olhos pregados em sua boca, seu olhar escuro me olhando com certo receio. Mas ela sorriu. Os seus braços se levantaram e suas pequenas mãos agarraram minha camisa. Não era meu primeiro beijo, mas mesmo assim eu tremia por, finalmente, estar ali naquela situação. Então ela me puxou de vez, arrancando-me um leve beijo. E ela continuou sorrindo. Vi esse sorriso em seus doces olhos e foi irresistível. Timidamente, a abracei pela cintura, aproveitando a pouca iluminação do local para onde a arrastara. Olhei-a nos olhos e sorri. Ali, naqueles poucos minutos, ela foi minha; naquele pequeno espaço escondido e pouco iluminado, eu a tive.

E agora não a tenho mais.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Mudanças

Às vezes me pergunto se você ainda lembra de mim. Se meu rosto ou minhas palavras aparecem em pequenos lampejos de memórias antigas ao deitar. Se lembra das nossas promessas e tudo o que planejamos fazer um dia. Se ainda lembra do tom da minha voz, assim como eu lembro do tom da sua; ou se recorda do meu jeito envergonhado depois de dizer que te amo e de como você ria disso, me fazendo corar e rir junto. Das discussões sobre filmes, livros ou sobre aquela série que todos estão assistindo e nós, logicamente, também estamos. Se lembra das minhas tentativas de te fazer sentir ciúmes e de como era fácil te fazer ficar tenso por causa do comentário sobre alguém charmoso. Se ainda lembra como foi fácil me pedir em namoro e de como eu fiquei envergonhada com o pedido, apesar de receosa com o que poderia acontecer. Mas eu deixei acontecer... Você ainda lembra de mim ao menos? Ainda sabe dizer quem sou eu, meu querido?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Rodopiar


Seus cabelos esvoaçaram com o vento, arrancando-lhe instantaneamente um sorriso. Eu a adorava. Ela pousou os olhos escuros em meu rosto e sorriu novamente, dessa vez um pouco envergonhada, e soltei um longo suspiro. Ao perguntar se eu não tiraria mais fotos, acordei do transe que era ver aquela menina linda e levantei a câmera, capturando seu jeito incrível que me conquistou imediatamente. Não resisti. O vestido branco rodopiou e pude ver suas pernas alvas, seu corpo pequeno e frágil se agitando numa risada gostosa de se ouvir. Aproximando-se, ela pegou gentilmente a câmera de minhas mãos e, olhando cada foto, franzia o pequeno nariz com as que não gostava ao pedir para apagá-las. Respondi que estavam perfeitas. E não somente as fotos. Ela corou de imediato, devolvendo-me a câmera e se afastando. Comecei a cantarolar enquanto a clicava de costas na paisagem espetacular em que estávamos. Devagar, ela parou e se virou para mim, o sorriso estampado no rosto. “Diga”, pediu ao retornar para onde eu estava. Ela baixou a mão que segurava a máquina fotográfica e olhou em meus olhos bem de perto. “Diga”, repetiu. Fiquei calado por um tempo. Sabia que não era necessário dizer o que era evidente. Então, num lampejo de coragem, apenas a beijei. E ela sorriu com isso.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O fato de desejar

Meus pés ficaram gelados rapidamente. Lágrimas começaram a surgir de meus olhos. Meu coração disparou. Não havia motivo para tanto, eu sabia disso. Mas mesmo assim não consegui me conter. Li cada palavra como se fossem as últimas, desejando que o fim não estivesse explícito, pois não aguentaria tanto. Olhei o ponto - que não era o ponto final - e senti uma mistura de sentimentos me invadir. Ódio, saudade, tristeza... Vontade de responder com alguma palavra suja e com significado torpe. Não fiz isso. Apenas chorei, igual aos outros dias em que chorava por causa de lembranças. O vento levou meu cabelo até os olhos e pequenas mexas ficaram presas em minha bochecha, no rastro que as lágrimas deixavam. Sorri meu pior sorriso. Deitei-me na cama e virei o rosto para a parede branca do quarto, as lágrimas não me deixando em paz. Então respondi sinceramente. Não podia inventar mais mentiras, porque aos poucos elas estavam me matando. Adormeci depois de responder. Não lembro que horas eram ou até mesmo o dia. Só lembro que desejava não ter aquela conversa, desejava não ter aqueles sentimentos, desejava apenas poder respirar aliviada mais uma vez...